Um fóssil de besouro de 100 milhões de anos, notavelmente preservado, foi descoberto com um órgão emissor de luz totalmente intacto e uma estrutura nunca antes vista pelos cientistas.
O fóssil está preservado em âmbar de Kachin, em Myanmar, e data do período Cretáceo. A análise do espécime revela que ele não só pertence à ordem Coleoptera, que inclui todos os besouros, como também à família extinta Cretophengodidae, semelhante aos vagalumes e seus parentes.

O fóssil, agora denominado Icaroramus perisi, representa um novo gênero de besouros lampirídeos. Mas, além da capacidade de emitir flashes pela parte traseira, o que mais intrigou os pesquisadores foram suas antenas extremamente incomuns.
Essas antenas possuem 12 segmentos, e cada segmento tem dois pares do que é conhecido como lâminas, ou ramificações, que apresentam aparência diferente em cada par. “Suas antenas quadriheteroramosas de 12 segmentos representam uma arquitetura antenal desconhecida entre os besouros atuais e fósseis”, escrevem os autores.
Acredita-se que essas antenas bem desenvolvidas eram usadas para encontrar parceiros, detectando a comunicação química por meio dos feromônios presentes no ar. É até possível que as diferentes partes dessas antenas peculiares permitissem ao besouro distinguir entre diferentes substâncias químicas e feromônios.

Curiosamente, os vagalumes atuais geralmente possuem antenas simples e emitem sinais luminosos, enquanto o Icaroamus tinha antenas elaboradas e órgãos emissores de luz. Devido a essa combinação incomum, os autores acreditam que a luz pode ter sido usada como defesa contra predadores, em vez de para atrair parceiros ou para o cortejo.
Devido à idade do fóssil, ele demonstra que, no início da história evolutiva desses insetos, sinais luminosos e antenas para reconhecimento químico já haviam evoluído, até mesmo 100 milhões de anos antes dos insetos vivos que vemos hoje.
Este é o segundo fóssil semelhante a um vagalume descoberto em Myanmar este ano. Em maio, uma nova espécie chamada Cretoluciola birmana foi descrita como membro da subfamília Luciolinae, pertencente ao Cretáceo Médio.
Em 2023, uma vespa-micro também foi descoberta com antenas tão peculiares que provavelmente tinha dificuldades para voar. “As estruturas únicas, minúsculas e semelhantes a nuvens, presas às antenas certamente deviam incomodar esse minúsculo parasita”, hipotetizou George Poinar, autor principal do estudo, em um comunicado na época.
A estrutura das antenas observada em Icororamus perisi nunca foi encontrada em outra espécie, viva ou morta, e é exclusiva dessa espécie, revelando quão complexa era a comunicação desses besouros mesmo no período Cretáceo.



































































