Durante décadas, Plutão foi apresentado nos livros escolares como o nono e mais distante planeta do Sistema Solar. Descoberto em 1930, o pequeno mundo gelado conquistou um lugar especial na imaginação popular. Porém, em 2006, uma decisão da comunidade científica mudou sua classificação: Plutão passou a ser oficialmente considerado um planeta anão.
Mas por que isso aconteceu? Onde fica Plutão? Qual é o seu tamanho? Como ele foi descoberto? E o que sabemos atualmente sobre esse mundo distante?

A descoberta de Plutão
A história de Plutão começou no final do século XIX, quando os astrônomos perceberam que havia algo estranho no movimento de Urano. Acreditava-se que a gravidade de um planeta ainda desconhecido poderia estar influenciando sua órbita.
Em 1846, foi descoberto Netuno. Entretanto, alguns pesquisadores continuaram acreditando que poderia existir outro planeta ainda mais distante.
No início do século XX, o astrônomo norte-americano Percival Lowell, fundador do Observatório Lowell, no Arizona, dedicou-se à procura desse possível planeta, que ficou conhecido durante algum tempo como “Planeta X”.
Lowell morreu em 1916 sem encontrar o objeto. Anos depois, a busca foi retomada no observatório.
Foi então que entrou em cena Clyde Tombaugh, um jovem astrônomo que começou a trabalhar no Observatório Lowell em 1929.

Tombaugh utilizou um equipamento chamado comparador de blink, que permitia comparar fotografias do céu tiradas em momentos diferentes. As estrelas permaneciam praticamente na mesma posição, enquanto um objeto do Sistema Solar poderia aparecer deslocado.
Depois de meses analisando milhares de fotografias, Tombaugh encontrou o que procurava.
Em 18 de fevereiro de 1930, ele identificou um pequeno ponto que havia mudado de posição entre as imagens. O objeto posteriormente recebeu o nome de Plutão.
A descoberta foi anunciada oficialmente em 13 de março de 1930, coincidindo com o aniversário de Percival Lowell e com o 149º aniversário da descoberta de Urano.
Por que o nome Plutão?
O nome foi sugerido por Venetia Burney, uma menina britânica de apenas 11 anos que tinha interesse por mitologia.
Ela sugeriu o nome Plutão, referência ao deus romano do mundo subterrâneo, equivalente ao grego Hades.
O nome também combinava com uma tradição já estabelecida de dar aos planetas nomes relacionados à mitologia.
Outro detalhe interessante é que as duas primeiras letras de Plutão, “PL”, também correspondem às iniciais de Percival Lowell.
Plutão realmente era o nono planeta?
Durante 76 anos, Plutão foi oficialmente considerado o nono planeta do Sistema Solar.
No entanto, desde sua descoberta, os astrônomos perceberam que ele era muito diferente dos outros planetas.
Plutão é extremamente pequeno. Seu diâmetro é de aproximadamente 2.377 quilômetros, sendo menor que a Lua da Terra, que possui cerca de 3.475 quilômetros de diâmetro.

Além disso, com o avanço das observações astronômicas, os cientistas começaram a descobrir outros objetos semelhantes a Plutão nas regiões mais distantes do Sistema Solar.
Isso criou um problema: se Plutão continuasse sendo considerado planeta, seria necessário discutir se outros objetos semelhantes também deveriam receber essa classificação.
A descoberta de Éris, em 2005, foi especialmente importante nesse debate. Éris possui tamanho semelhante ao de Plutão e está ainda mais distante do Sol.
A situação levou os astrônomos a reconsiderarem o próprio conceito de planeta.
O rebaixamento de Plutão
Em 24 de agosto de 2006, durante uma reunião da União Astronômica Internacional (IAU), os astrônomos aprovaram uma nova definição para o que deveria ser considerado um planeta.
De acordo com essa definição, um planeta precisa cumprir três condições principais:
- Orbitar o Sol;
- Ter massa suficiente para assumir uma forma aproximadamente arredondada devido à própria gravidade;
- Ter “limpado” a vizinhança de sua órbita, ou seja, ser gravitacionalmente dominante na região em que orbita.
Plutão cumpre as duas primeiras condições, mas não a terceira.
Ele está localizado em uma região extremamente povoada por objetos gelados chamada Cinturão de Kuiper. Plutão não domina gravitacionalmente essa região e compartilha sua vizinhança orbital com muitos outros corpos.
Por isso, foi classificado como planeta anão.
É importante destacar que Plutão não “perdeu” suas características físicas naquele momento. O que mudou foi sua classificação astronômica.
Onde fica Plutão?
Plutão está localizado nas regiões externas do Sistema Solar, além da órbita de Netuno.
Sua distância em relação ao Sol não é fixa, porque sua órbita é bastante alongada. Em média, Plutão está a aproximadamente 5,9 bilhões de quilômetros do Sol, cerca de 39 vezes a distância média entre a Terra e o Sol.

Mas ele pode ficar significativamente mais perto ou mais longe.
Em determinados pontos de sua órbita, Plutão chega a ficar a mais de 7 bilhões de quilômetros do Sol.
Por causa dessa enorme distância, a luz solar que chega a Plutão é muito mais fraca do que a que recebemos na Terra.
Quanto tempo Plutão leva para dar uma volta no Sol?
Plutão possui uma órbita extremamente grande.
Enquanto a Terra leva aproximadamente 365 dias para completar uma volta ao redor do Sol, Plutão precisa de cerca de 248 anos terrestres.
Isso significa que, desde sua descoberta em 1930, Plutão ainda não completou uma única órbita completa ao redor do Sol.
Ele só voltará aproximadamente à mesma posição orbital em que foi descoberto no ano 2178.
Um dia em Plutão também é muito longo
Plutão gira lentamente em torno de seu próprio eixo.
Uma rotação completa leva aproximadamente 6,4 dias terrestres.
Portanto, um dia plutoniano dura cerca de seis dias e quatro horas da Terra.
Outra característica curiosa é que Plutão possui uma inclinação axial elevada, o que contribui para mudanças sazonais bastante diferentes das observadas na Terra.
Do que Plutão é feito?
Plutão é um mundo pequeno e extremamente frio.
Sua superfície é composta principalmente por gelo de nitrogênio, além de gelo de metano e monóxido de carbono.
A superfície também apresenta grandes regiões com diferentes características geológicas e diferentes tonalidades.
Uma das áreas mais famosas é a enorme região em forma de coração observada pela primeira vez pela sonda New Horizons em 2015.
Essa formação recebeu o nome informal de Tombaugh Regio, em homenagem a Clyde Tombaugh, o descobridor de Plutão.
Dentro dessa região está uma enorme planície de gelo conhecida como Sputnik Planitia.
A atmosfera de Plutão
Apesar de ser extremamente distante do Sol e muito frio, Plutão possui uma atmosfera extremamente fina.
Ela é composta principalmente por nitrogênio, com pequenas quantidades de metano e monóxido de carbono.

A atmosfera de Plutão está diretamente relacionada à temperatura de sua superfície. Quando determinadas regiões recebem mais energia solar, parte dos gelos pode sublimar, passando diretamente do estado sólido para o gasoso.
Quando Plutão se afasta do Sol e esfria, parte desse material pode voltar a congelar sobre a superfície.
Plutão possui luas
Plutão não está sozinho.
Ele possui cinco luas conhecidas: Caronte, Estige, Nix, Cérbero e Hidra.
A maior delas é Caronte, que possui aproximadamente metade do diâmetro de Plutão.

A relação entre os dois é tão peculiar que os dois corpos são frequentemente descritos como um sistema quase binário. Isso acontece porque Caronte é tão grande em comparação com Plutão que o centro de massa do sistema fica fora de Plutão.
As outras quatro luas são muito menores.

A primeira visita de uma espaçonave
Durante décadas, Plutão permaneceu apenas como um pequeno ponto observado através de telescópios.
Isso mudou em 2015.
A sonda New Horizons, lançada pela NASA em 2006, realizou o primeiro sobrevoo de Plutão em 14 de julho de 2015.
A espaçonave passou a aproximadamente 12.500 quilômetros da superfície e enviou para a Terra as primeiras imagens detalhadas do planeta anão.
As fotografias revelaram um mundo muito mais complexo do que os cientistas imaginavam.
Montanhas de gelo, planícies, possíveis sinais de atividade geológica, neblina atmosférica e a enorme região em forma de coração surpreenderam os pesquisadores.
Antes da chegada da New Horizons, Plutão era praticamente desconhecido. Depois dela, passou a ser um dos objetos mais estudados do Sistema Solar exterior.
Plutão pode voltar a ser considerado planeta?
A classificação de Plutão continua sendo discutida ocasionalmente entre cientistas.
Alguns pesquisadores defendem uma definição diferente de planeta, baseada principalmente nas características físicas do objeto e não na capacidade de dominar gravitacionalmente sua órbita.
Porém, oficialmente, a classificação adotada pela União Astronômica Internacional permanece a mesma: Plutão é um planeta anão.
Portanto, nos termos da definição oficial atualmente utilizada, o Sistema Solar possui oito planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.
Plutão pertence a uma categoria diferente, ao lado de outros planetas anões conhecidos, como Ceres, Haumea, Makemake e Éris.
Por que Plutão continua sendo tão importante?
Mesmo tendo deixado de ser considerado um planeta, Plutão não se tornou menos interessante para a ciência.
Na realidade, sua reclassificação ajudou os astrônomos a compreender melhor a enorme diversidade existente no Sistema Solar.
Plutão é um dos principais objetos do Cinturão de Kuiper, uma região distante e repleta de corpos gelados que preservam pistas sobre a formação e a evolução do Sistema Solar.
A missão New Horizons também mostrou que mundos pequenos e distantes podem possuir paisagens complexas e uma história geológica surpreendentemente rica.
Hoje, Plutão continua sendo um dos lugares mais fascinantes já explorados pela humanidade.
Ele não é mais oficialmente o nono planeta do Sistema Solar, mas sua história permanece extraordinária: um pequeno mundo descoberto há menos de um século, localizado bilhões de quilômetros da Terra, que durante décadas foi considerado um planeta e acabou se tornando o mais famoso planeta anão conhecido.


































































